Suframa e UEA discutem prognóstico climático e ações contra o desabastecimento e interrupções na produção das indústrias do PIM
A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) e o Laboratório de Modelagem do Sistema Climático Terrestre da Universidade do Estado do Amazonas (Labclim/UEA) uniram esforços para discutir cenários climáticos e suas implicações diretas na produção industrial. Uma palestra realizada nesta terça-feira (02/05) reuniu representantes do setor produtivo, comércio, órgãos públicos e da academia.
O objetivo principal foi debater o prognóstico climático para a cheia e vazante no Amazonas em 2026, buscando subsidiar ações preventivas. A iniciativa visa evitar o desabastecimento e as interrupções na cadeia produtiva do Polo Industrial de Manaus (PIM), cenário que já causou transtornos significativos em anos anteriores.
A cooperação técnica entre as instituições é vista como fundamental para fortalecer as estratégias de monitoramento, prevenção e adaptação a eventos climáticos extremos. A informação científica será convertida em inteligência estratégica para as empresas, conforme divulgado pela Suframa.
Labclim aprimora previsões para antecipar impactos logísticos no PIM
Professores do Labclim/UEA apresentaram análises detalhadas sobre as perspectivas climáticas para o Amazonas, com foco nos possíveis reflexos para a logística regional. As exposições abordaram cenários futuros, os impactos sobre o transporte de cargas e ofereceram recomendações cruciais para o planejamento das atividades produtivas.
Segundo Fabiana Lucena Oliveira, subcoordenadora da área de logística do Labclim, o projeto tem trabalhado continuamente para aperfeiçoar ferramentas que antecipam tendências climáticas. O intuito é evitar o “efeito surpresa” causado por eventos extremos, como os registrados em 2023, e permitir que as instituições se planejem com antecedência diante de ocorrências climáticas severas.
As previsões do Labclim possuem um horizonte de 30 a 45 dias, com uma expectativa de acerto de aproximadamente 80%. Essa capacidade permite avaliar potenciais impactos logísticos e auxiliar na tomada de decisões por parte de empresas e gestores públicos, garantindo maior resiliência às operações do PIM.
El Niño previsto para o segundo semestre, mas com menor intensidade que em 2023
As projeções do Labclim indicam a permanência de condições associadas ao fenômeno El Niño entre os meses de julho e agosto. A intensidade esperada é entre moderada e forte. Apesar do alerta, a expectativa é que a estiagem deste ano não atinja os níveis extremos observados na histórica seca de 2023.
O professor Francis Wagner, coordenador do Labclim, explicou que se espera uma seca dentro do padrão de um El Niño moderado a forte, mas sem repetir os níveis extremos de 2023. Ele recomendou que as empresas adotem um **planejamento estratégico** e antecipem a chegada de insumos e materiais.
A recomendação visa evitar a dependência do transporte de cargas durante o período de pico da seca, que está previsto para ocorrer em outubro e novembro. O planejamento antecipado é a chave para mitigar os riscos à produção e ao abastecimento.
Integração entre ciência e setor produtivo é essencial para o planejamento
O superintendente da Suframa, Leopoldo Montenegro, destacou a importância da **integração entre a ciência e o setor produtivo**. Essa colaboração é fundamental para possibilitar a tomada de decisões mais apropriadas diante dos desafios impostos pelas condições climáticas.
O objetivo é transformar o conhecimento científico em informação estratégica. Com isso, as empresas do PIM poderão se planejar com antecedência, reduzindo riscos à produção e garantindo o abastecimento, especialmente durante os períodos de estiagem. A antecipação é a melhor ferramenta contra a incerteza climática.

